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contaminada
pela peste emocional.
Enquanto a Humanidade derramava lágrimas de tristeza pelo ocorrido,
Osama, seus seguidores e muitos outros, inclusive alguns americanos, todos também
contaminados pela peste emocional, aplaudiam a bravura e coragem daquele homem.
Não bastasse tal atrocidade, surge alguns dias depois o chamado Anthrax,
disseminando-se como erva daninha, da mesma forma que a peste se dissemina e
colocando em risco a saúde de toda a humanidade.
O indivíduo acometido pela peste emocional pode estar ao nosso lado,
dentro de nossas casas, de nosso circulo de amizades, de nosso trabalho, ou então,
ser totalmente desconhecido e estar distante. Mas é real!
Em casa, junto à família, o indivíduo acometido pela peste emocional,
em troca de poucos minutos de prazer difama o irmão, o filho, os país e outros
familiares, sejam eles próximos ou não. Faz de conta que brinca de esconder
coisas importantíssimas, mas esconde de verdade; finge ser o filho ou o pai
bondoso, mas odeia quem está por perto e pode atrapalhar os seus planos; tem um
espírito vingativo mesmo que leve alguns anos para que suas idéias se
concretizem; mata por herança, apólice de seguros, poder e muito mais.
No trabalho, a pessoa que tem a peste até parece ser um bom colega, mas
usa uma máscara, quase sempre imperceptível, cujo prazer é denegrir, difamar
e destruir tudo aquilo que não foi construído por ele, do jeito dele, submisso
a ele. São pessoas que gastam grande parte do tempo desenvolvendo vírus de
computador para destruir programas importantíssimos, valiosos, que levaram
dias, meses e até mesmo anos para serem construídos, só para ter uns poucos
minutos de prazer sádico e doentio, vendo a desgraça dos outros.
Uma pessoa acometida pela peste emocional não aceita discutir os próprios
mecanismos da peste. Fica inquieto, zangado e passa a defende-se atacando.Não
tolera que ameacem sua couraça ou desmascarem seus motivos irracionais. Luta de
maneira irracional contra todos os modos de vida que sejam parecidos co os seus,
mesmo que esses não afetem de modo algum. Não se contenta com uma atitude
passiva. Tem atitudes destrutivas da vida. Seu pensamento é perturbado por
conceitos e emoções irracionais.
Um
educador acometido pela peste emocional alega que as crianças são difíceis de
educar e por isso seus métodos severos e autoritários são necessários,
encontrando toda espécie de argumentos superficiais para apoiar sua convicção
de que age pelo bem da criança.
De
acordo com Reich (1983), algumas formas de educação, como por exemplo,
enfaixar o bebê tolher seus movimentos, alimentar conforme horários
estabelecidos pelo médico, avó ou pela própria mãe, amarrar as mãos do bebê,
etc, é a expressão da praga emocional do adulto e tem como resultado o encouraçamento
do bebê que, posteriormente, fará um esforço desesperado para não se lembrar
da possibilidade de prazer na primeira infância. Diz Reich (1983): Quase toda mãe
sabe profundamente o que a criança é e do que ela precisa, mas a maioria das mães
segue teorias falsas e perigosas, de teóricos superficiais, em vez de ouvir
seus próprios instintos naturais.
Uma
pessoa acometida pela peste emocional,como não consegue se promover pelo esforço
próprio, busca se promover por meio da destruição do outro. Em vez de
escrever seus próprios livros vive em busca de erros nos livros dos outros para
poder criticá-los, no intuito de destruir a qualidade das obras. Apega-se a títulos
e se esquece da qualidade de trabalho que o outro pode ter, impedindo dessa
forma o progresso; atribui ao outro a culpa e ignorância que são dele próprio;
tem inveja e ódio de tudo o que é saudável, denegrindo e esmagando realizações
que muitas vezes podem ser honestas e importantes.
Uma
pessoa acometida pela peste emocional tem forte tendência a formar círculos
sociais e nunca ficar sozinho, ao mesmo tempo em que “caminha com
arrogância, tentando destruir sua própria existência e bem–estar
maldizendo com criador da vida” ( Reich, 1953, p.279); Fofoca e difamação dão
a ele uma satisfação perversa; tem grande capacidade criativa , mas odeia o
trabalho, a não ser que o lidere, pois é líder “nato” e sabe muito bem
como dominar os mais fracos, apresentando fanatismo religioso e cultural
extremista e uma sexualidade geralmente sádica e pornográfica.
Mas
que doença é essa?
De
acordo com Reich (1933, p.461), “a peste emocional é uma biopatia crônica do
organismo”. Nesse caso, reich utiliza o termo biopatia para se referir a todas
as enfermidades causadas por uma disfunção básica do sistema neurovegetetivo,
no qual existe um comprometimento emocional muitas vezes acompanhado de um
comprometimento físico, por conseqüência.
Ainda
segundo Reich, (1948), a origem da peste emocional se dá no berço, ou seja,
quando existe um contato físico, energético e emocional precário por parte de
quem faz a função materna junto ao bebê, seguido de uma educação compulsiva
e autoritária, o que dá margem a uma possível desestruturação energética e
de caráter, e constitui a base para a manifestação de uma biopatia.
Primeiramente, o organismo responde contraindo-se; em seguida, responde com as
doenças físicas e ou orgânicas. Reich (1948) procura explicar essa contração
do organismo humano a partir do medo, um medo corporal, sentido pelo corpo todo,
que se contrai como defesa. É, então, desse medo que também surge à peste
emocional, que apesar de não ser transmitida de mãe para filho de maneira
hereditária, “É inculcada na criança desde os primeiros dias de vida”
(Reich,1933,p.461)
As
pessoas acometidas pela peste emocional quase sempre possuem uma quantidade
muito elevada de energia biológica, acompanhada de uma rígida couraça
caracterológica e muscular. Daí a explicação para a rigidez de pensamento e
agressividade, visto que a pessoa acometida pela peste é produto de uma educação
compulsiva e autoritária.
Tal como a esquizofrenia ou o câncer, a peste emocional é uma doença
endêmica. No entanto, Há uma diferença notável: manifesta-se essencialmente
na vida social e está intimamente ligada ao Caráter neurótico. Isso não
significa, entretanto, que todo indivíduo neurótico seja acometido por essa
doença.
Entre
os anos de 1934 e 1944, com a acirrada campanha da imprensa norueguesa, Reich
também descobriu os efeitos da peste emocional humana sobre si mesmo e contra a
sua pesquisa. E nós, se pensarmos um pouco, conseguiremos identificar momentos
em que fomos ou até mesmo continuamos sendo vítimas de indivíduos acometidos
por essa doença.
O
conceito de peste emocional não implica terapeuticamente em uma depreciação.
Como doença que é, pode ser tratada. O importante é sabermos reconhecer a
peste emocional em nós mesmo se nos outros e procurarmos ajuda para isso. Se a
humanidade soubesse discernir os momentos em que está se sentindo com a peste
emocional, se fizesse respeitar e a tratasse, tudo seria diferente.
È
bem como diz reich (1933, p.491): “só o restabelecimento de vida amorosa
natural das crianças, adolescentes e adultos pode livrar o mundo das neuroses
de caráter e da peste emocional em diversas formas”.
Referências
bibliográficas:
REICH,
W(1933) Análise do Caráter. São Paulo: Martins Fontes, 1995.
_________.(1948)
La Biopatia Del Cáncer. Buenos
Aires: Martins Fontes, 1995.
_________.(1951)
O Assassinato de Cristo. São Paulo: Martins Fontes, 1991.
_________.(1953)
People in trouble. New york: Farrar, Stratus and Giroux, 1976.
_________.(1983)
Bambini del Futuro. Milano:
Sugar Co Edizioni, 1987.
José
Henrique Volpi é
Psicólogo, Psicoterapeuta Corporal, Especialista em Anátomo-Fisiologia,
Psicodrama e Vegetoterapia Caractero-Analitica.
Mestrado
em Psicologia da Saúde (Neuropsicofisiologia). Diretor do Centro Reichiano de
Psicoterapia Corporal, Curitiba/PR.
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