
Reflexão sobre ética Anabel Andrés, aluna da Escola CETAS do III módulo do Curso Técnico Terapeuta Corporal. Texto escrito para apresentação de trabalho em grupo na aula do componente curricular Ética. Toda ética é fundamentada nas inter-relações do homem, a partir das quais são estabelecidos os preceitos de "certo/errado", "bom/mau", "justo/injusto", o aceitável e o inadmissível, cujos significados podem variar conforme períodos históricos, localidades e grupos sócio-culturais. A ética não é natural, nem inata. É cultural, fruto de pactos sociais. Mesmo quando diz respeito a um ideal de "liberdade", tem como matéria os "limites" dentro dos quais a liberdade individual pode ou deve ser exercida: o código de princípios de conduta a serem respeitados numa sociedade humana. É importante lembrar que ética é ação, um processo dialético em atualização constante (pensar, escolher, interagir, avaliar, "tudo ao mesmo tempo agora" em "uma coisa de cada vez"). "É que efetivamente o Ser humano não é um contemplativo, e sim um ativo. E não é pela contemplação que entra em contato com o mundo exterior, mas pela ação. (...) em todos os casos há sempre uma ação, por rudimentar que seja, e um pensamento, por mais elementar que se possa considerá-lo" (Caio Prado Junior). Isso quer dizer que os "dez mandamentos", os "Yamas e Nyamas", o "juramento de Hipócrates" ou o do PCC, assim como os ditos populares só adquirem seu verdadeiro sentido no aqui-agora, que deve ser entendido não como "slogan de marketing político" ou "grito de guerra" dos jovens de um outro tempo, mas como realidade inescapável dos nossos atos, já que estes tornam-se abstrações, antes ou depois, no ato presente de pensar, no refletir como ato. Ato de um corpo que como nos diz o poeta Walt Withman "inclui e é a significação, a idéia-mestra, e inclui e é a alma". Mais do que em atos, na verdade a ética se realiza em atitudes e interação, o que envolve uma tomada de posição em relação a algo. Por exemplo, o ato de (...) massagear alguém pode realizar-se com uma atitude de serenidade, descaso, fluidez, tonificação, sedação, devoção, compaixão, racionalização, contato superficial, profundo, enfatizando a sensação, a técnica, etc. Ou seja, na conjunção de circunstâncias externas e impulsos internos do indivíduo, no momento atual, uma decisão quanto ao modo de interagir é tomada (por mais inconsciente que esta seja). Falamos da intenção da ação. Da intenção como ação. Pode parecer enfadonha e interminável essa cadeia de pensamentos, mas quanto mais consciência uma pessoa tem a respeito da sua condição no mundo (como ser humano, cidadão, membro de um grupo ideológico, profissional ou familiar), maior é a sua responsabilidade diante das questões que essa condição engloba, e dessa forma a reflexão sobre essas questões e sobre si mesma torna-se necessária. Como terapeutas não podemos - ou podemos? (toca o sino tibetano) Como terapeutas, segundo nosso ponto de vista, não podemos nos furtar à busca de uma compreensão maior do contexto histórico e social em que vivemos, porque a ética de um terapeuta - assim como a do médico, do artista, do educador, do político, de todo aquele que se reconhece como cidadão - não se limita apenas a conhecer e respeitar um número de regras de conduta que constituem um código estabelecido, Amém. É necessário questioná-las em sua atual significação, e por vezes tomar atitudes que as coloquem em xeque (e não cheque...) para não correr o "cômodo risco" de auxiliar na "cura em termos" de indivíduos (incluindo a nós mesmos) dentro de uma sociedade doente, e usar o código de ética de uma categoria profissional como escudo ou cortina para justificar a conivência com a banalização de valores morais, as pequenas conveniências e vaidades, a própria alienação frente à situação do mundo. Ainda assim, sempre há o argumento da relatividade das interpretações do mundo... do qual somos pontos reflexos e base para novos caminhos. |
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